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Violação dos direitos das mulheres

Meia testemunha, meia herdeira, metade do preço de sangue, uma ovelha ao nascer em vez de duas: no direito islâmico clássico, uma mulher conta muitas vezes como meio homem. Duas mulheres testemunham onde bastaria um homem, para que uma possa lembrar a outra caso ela se engane (Alcorão 2:282). Um filho herda o dobro da parte de uma filha (4:11). Os homens estão «um grau» acima das mulheres (2:228), têm autoridade sobre elas e podem bater nas esposas cuja desobediência receiem (4:34). Um hadith diz que as mulheres são deficientes em razão e religião (Bukhari 304), outro adverte que um povo governado por uma mulher nunca prosperará (Bukhari 4425), e uma mulher não pode fazer um dia de viagem sem um tutor masculino (Bukhari 1088). De Cabul a Bagdade, estas regras estão a ser reescritas na lei.

3 artigos

Decretos em Cabul, diálogos em Genebra

Cinco anos após o regresso dos talibãs, uma oradora da sociedade civil afirmou perante o Conselho de Segurança da ONU que ser mulher no Afeganistão é hoje um crime. Em Genebra, as ONG imploram ao Conselho dos Direitos Humanos que, pelo menos, continue a falar do assunto: renovar o relator, manter os diálogos, pôr em marcha o mecanismo de investigação. O relator, por seu lado, está proibido de entrar no país desde 2024.

Veladas na rua, despidas na prisão

A República Islâmica fecha um café por causa de uma cabeça descoberta e detém uma mulher por um lenço mal posto. Por detrás dos muros da prisão de Evin, em Teerão, os guardas do mesmo Estado obrigam as presas políticas a despir-se durante as revistas, segundo fontes citadas pela Iran International. O pudor, ao que parece, é uma regra para as mulheres, não para os seus carcereiros.

No Iraque, casar com uma menina exige menos papelada do que deixar um marido

Desde 2025, os casais iraquianos podem trocar a lei civil da família por um código religioso xiita. Este fixa o casamento na puberdade, aceita casamentos sem testemunhas nem registo, entrega os filhos ao pai aos sete anos e só permite que uma mulher se divorcie se for abandonada, privada de sustento ou agredida repetidamente. As iraquianas lutaram para tornar a reforma menos terrível. Seis meses depois, o parlamento piorou-a.

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