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Conselho com isenção fiscal: bata na sua mulher, mas levemente

Uma mesquita no leste de Londres, registada como instituição de beneficência que apoia a humanidade através da promoção do islão, publicou palestras em que se diz aos maridos para baterem «levemente» nas mulheres desobedientes e se explica que a sharia executa os homens homossexuais. A Charity Commission está agora a avaliar se isto serve o interesse público.

Aconselhamento conjugal em três passos

O Hackney Islamic Community Centre, também conhecido como Masjid Daar Al-Hadeeth, publica as suas lições no YouTube. Numa delas, o professor Yasin Munye recita um poema que enumera os pecados maiores do islão. Entre eles: desobedecer ao marido e sair de casa sem a sua autorização. Para a esposa rebelde, prescreve um método: aconselhá-la, depois afastar-se dela na cama, e depois discipliná-la fisicamente.

«Batendo-lhes levemente para lhes mostrar quem manda.»— Yasin Munye, professor no Hackney Islamic Community Centre, numa palestra em vídeo

Não improvisou. O Corão 4:34 estabelece os mesmos três passos, pela mesma ordem, e no seu sermão de despedida o Profeta guru autorizou os maridos a bater na mulher que transgride, mas sem violência excessiva (Muslim 1218). Daí o «levemente». Segundo a National Secular Society, que denunciou os vídeos, as palestras ensinam também que uma mulher não pode recusar sexo ao marido. Noutro vídeo, refere a organização, um segundo professor classificou como uma triste realidade o facto de muitas mulheres se acharem no direito de chamar a polícia quando o marido lhes bate.

O resto do programa

Na mesma palestra, Munye descreve as relações sexuais entre homens como um dos atos mais malignos, um crime pelo qual ambos os parceiros deveriam ser executados segundo a sharia, à espada ou atirados do alto de um edifício. É o método outrora usado pelo Estado Islâmico, e a regra de um hadith considerado autêntico: matai aquele que o pratica e aquele a quem é praticado (Abu Dawud 4462). Noutro vídeo, segundo a NSS, aprova a execução, pela Arábia Saudita, de pessoas acusadas de feitiçaria. A homossexualidade continua a ser punível com a pena de morte no Irão, na Arábia Saudita e no Iémen.

A humanidade, sujeita a termos e condições

O centro afirma apoiar a humanidade através da promoção da fé islâmica. A humanidade, ao que parece, não inclui as mulheres desobedientes nem os homens homossexuais. Enquanto instituição de beneficência registada, beneficia de benefícios fiscais: no ano terminado em março de 2025, declarou 191 097 libras de receitas, quase 155 000 das quais em donativos. Em abril, tornou-se uma charitable incorporated organisation, um estatuto que protege os seus administradores das dívidas da instituição. A NSS, que participou o centro à Charity Commission, quer que a própria promoção da religião seja reconsiderada enquanto finalidade de beneficência.

«Esta finalidade de beneficência tem de ser revista com urgência.»— Megan Manson, responsável de campanhas da National Secular Society

A Comissão vai avaliar

A Charity Commission abriu um processo de verificação de conformidade regulamentar e decidirá se se justifica um inquérito formal. A mesquita não reagiu publicamente. O regulador conhece o género: em janeiro, abriu um processo semelhante contra a Green Lane Masjid, em Birmingham, cujo imã tinha incluído a «disciplina em caso de rebelião» entre os direitos do marido, depois de já ter dado conselhos e orientações a essa instituição em 2025. O direito inglês, por seu lado, tem a sua própria lista: a violação conjugal é crime desde 1991, um marido que impeça a mulher de sair de casa pode ser processado por controlo coercivo, e bater-lhe, ainda que levemente, é agressão.

Em Hackney, uma mulher que sai sem autorização comete um pecado. Um marido que a proíba arrisca-se a ser processado. E a instituição de beneficência que o ensina, a julgar pelos precedentes, arrisca-se a receber conselhos.

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